

Porque não são dois corpos, eu digo sobre níveis de mim mesma.
Foi você que me roubou a língua? Perdi o idioma dentro de alguma curva encefálica.
Os cílios formavam uma nuvem tão escura quanto à própria noite não pode ser e afundei. Ah, Darling, eu afundei e provei cada teia das aranhas que formam em meus estômagos.
Pâncreas floridos são reais?
Talvez esteja carnal demais e então voltarei à superfície que é onde me aguarda a gravidade. E ela sorri para o filho desgarrado que soltou a mão da mãe em plena 25 de Março.
Ah!
Vertigens sonhadoras com suas entranhas. Sangrentas em suas veias secas.
Eu toco o fundo de um chão lamacento e você observa de cima. Bem acima dos meus cabelos chamuscados. Todos encrespados e sou escrava em 19 outra vez.
Séculos se passaram e eu ainda não saí de dentro dos teus olhos.
Cravaram-me flores.
Têm sido dias difíceis, e as bonecas choram. Rolam rolam rolam as lágrimas de um mundo todo plastificado.
Mas o mundo não é tão grande. Cabe em quatro paredes. Suas duas palmas abertas já me cercam e isso basta.
Darling, eu queria aqueles dois segundos.
(via satelitedegrafite)
